Memórias, Sonhos e Contemplações com uma pitada de Astronomia.

Abrindo Aspas para a Poesia

Ouvir Estrelas

Ora ( direis ) ouvir estrelas!
Certo, perdeste o senso!
E eu vos direi, no entanto
Que, para ouví-las,
muitas vezes desperto
E abro as janelas, pálido de espanto

E conversamos toda a noite,
enquanto a Via-Láctea, como um pálio aberto,
Cintila.
E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.

Direis agora: “Tresloucado amigo!
Que conversas com elas?
Que sentido tem o que dizem,
quando estão contigo? “

E eu vos direi:
“Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e e de entender estrela.

Olavo Bilac

É com a linda poesia de Olavo Bilac, chamada “Ouvir Estrelas”, que abro aspas no Universo Desconexo para participar da blogagem coletiva realizada pela Lunna do blog Acqua.

Bilac coloca a necessidade de se amar para ouvir e entender as estrelas. Pois o que seriamos de nós astrônomos se não fosse o amor e a poesia ? Já pensou nisso ? Talvez essa seja a poesia mais popular entre os astrônomos e certamente marca algum momento especial na vida de alguns. O Universo Desconexo não poderia deixar de abrir aspas para dar o crédito devido e merecido a Olavo Bilac, o poeta que era capaz de ouvir e entender as estrelas.

Olavo Brás Martins dos Guimarães Bilac era brasileiro, nasceu e morreu no estado do Rio de Janeiro, durante a época em que a escola literária em destaque era o Parnasianismo. Para quem não lembra, Bilac também é autor do nosso Hino à Bandeira do Brasil.

Se tens interesse de saber um pouco mais sobre Bilac, a wikipédia pode ser um bom começo. No entanto, um poeta consagrado como Bilac já foi título de teses e mais teses de doutorados, sua vida e obra inspirou já alguns livros, e centenas de edições de suas obras podem ser compradas em todas as livrarias do Brasil e do mundo, sem contar as inúmeras obras que já se encontram em domínio público, e podem ser consultadas gratuitamente nesse link aqui.

Participe você também !

Abre Aspas

22 comentários para “Abrindo Aspas para a Poesia”

  1. Bela lembrança e homenagem ao tão famoso Olavo Bilac. Mas aproveito este espaço para recomendar ida sua ao Espaço Mensaleiro, da Eliana, que está também nesta blogagem coletiva. É que o Meu Nosso Blog (MNB) recebeu homenagem lá e quando ela quis saber do nascimento do MNB é lógico que seu nome surgiu; Na introdução da publicação de hoje do MNB (27/10) tem o link para o Espaço Mensaleiro.
    Cadinho RoCo

  2. Por que será que a possibilidade de ouvir estrelas nos encanta tanto? Adoro Olavo Bilac…

    Olha estas velhas árvores, mais belas
    Do que as árvores moças, mais amigas,
    Tanto mais belas quanto mais antigas,
    Vencedoras da idade e das procelas…

    O homem, a fera e o inseto, à sombra delas
    Vivem, livres da fome e de fadigas:
    E em seus galhos abrigam-se as cantigas
    E os amores das aves tagarelas.
    (…)

    Grata por sua participação. Abraços meus

  3. Mais uma bela poesia de Olavo Bilac que li esta manhã.
    Parabéns pela escolha.
    Voltarei aqui

  4. Uau, bela participaçao….
    Lys, vc parou com as tentativas?

    Meire

  5. Muito interessante seu blog.

    Também me entusiasmo pelo “renascimento” que a internet está trazendo para a difusão da cultura!

    Parabéns e boa sorte!

    Um abraço.

  6. A Mocidade

    A mocidade é como a primavera!
    A alma, cheia de flores resplandece,
    Crê no Bem, ama a vida, sonha e espera,
    E a desventura facilmente esquece.

    É a idade da força e da beleza:
    Olha o futuro, e inda não tem passado:
    E, encarando de frente a Natureza,
    Não tem receio do trabalho ousado.

    Ama a vigília, aborrecendo o sono;
    Tem projetos de glória, ama a Quimera;
    E ainda não dá frutos como o outono,
    Pois só dá flores como a primavera!

    Olavo Bilac já dizia, eu reforço: aproveita a mocidade!
    Bjim

  7. Poema Transitório

    (…) é preciso partir
    é preciso chegar
    é preciso partir é preciso chegar…
    Ah, como esta vida é urgente!
    …. no entanto
    eu gostava mesmo era de partir…
    e - até hoje - quando acaso embarco
    para alguma parte
    acomodo-me no meu lugar
    fecho os olhos e sonho:
    viajar, viajar
    mas para parte nenhuma…
    viajar indefinidamente…
    como uma nave espacial perdida entre as estrelas.

    Mário Quintana

    Forte abraço, apreciadora de estrelas!

  8. [...] Papiniano Carlos 11 - Versos Bárbaros - Douglas Dias 12 - Um pouco de azul - Glaucia Carvalho 13 - Universo Desconexo - Olavo Bilac 14 - O ARTeiro - Li Po 15 - Gente sem saúde - Mário Quintana 16 - Outras [...]

  9. Olá, bela escolha. Estou adorando esta minha primeira coletiva . Está sendo muito bom conhecer blogs como o seu.

    Abraço

  10. Lys, eu estava no blogue da Luci Peter e lembrei de você. Como nao sabia que iria participar da blogagem, não foi surpresa encontrar Olavo Bilac por aqui ;) Boa semana! Beijus

  11. Nossa que lindo! Pena que eu perdi (não sabia do “abre aspas”)..
    vou postar aqui então hehe: A estrela polar - Vinicius de Moraes

    A Estrela Polar - VINICIUS DE MORAES
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    Eu vi a Estrela Polar
    Chorando em cima do mar
    Eu vi a Estrela Polar
    Nas costas de Portugal

    Desde então não seja Vênus
    A mais pura das estrelas
    A Estrela Polar não brilha
    Se humilha no firmamento

    Parece uma criancinha
    Enjeitada pelo frio
    Estrelinha franciscana

    Teresinha, Mariana
    Perdida no Pólo Norte
    De toda a tristeza humana
    —–
    A escolha do poema deve-se a 2 fatos:
    1- Adoro Vinicus de Moraes
    2- Você é astrônoma, o poema tinha que combinar :D

  12. Bom dia!!!

    Bendita essa blogagem coletiva, que nos proporciona tanta beleza poética! Parabéns pelo Blog, e por Bilac!

    Bjs.
    Flor ♥

  13. Bilac, o amor, a noite e as estrelas.
    Os astrônomos a investigar minuciosamente os astros. Nós outros a olhar pro céu de olhos desarmados. Que segredos Lys eles contam a vocês?
    Boa semana. Abraço

  14. [...] Papiniano Carlos 11 - Versos Bárbaros - Douglas Dias 12 - Um pouco de azul - Glaucia Carvalho 13 - Universo Desconexo - Olavo Bilac 14 - O ARTeiro - Li Po 15 - Gente sem saúde - Mário Quintana 16 - Outras [...]

  15. Oi Lys.

    Que poesia linda !!!

    Parabéns pelo post.

    Bjs.
    Elvira

  16. É lindo esse poema de Olavo Bilac.
    Bem lembrado o Hino…eu sou portuguesa,sabia e até já fiz um post a propósito mas não liguei o fato na hora!
    Parabéns. :)

  17. Olá!!!

    Dia 31 vem chegando, prepare-se para a blogagem coletiva!

    “Junte sua mãe, seu cachorro e sua sogra
    Traga todo mundo o coro vai comê!”

    Grande abraço e estou no aguardo.

    Ronaldo - Vida Blog

  18. Lys,
    Ainda não sei direito o que é a blogagem coletiva mas o que posso dizer com relação aos poemas é que todos são extremamente líricos e tenho um carinho muito especial por Ouvir Estrelas. Faz parte do meu baú de recordações especiais.
    Um grande beijo,
    Odette

  19. Lys,
    Já sei como é a blogagem coletiva. Li no post da rosac.
    Beijos,
    Odette

  20. Lyyyysssss o feed tá buguiado!!!!

  21. Agooooorraaaa… obrigada menina, assim fico de olho!!!

    Quanto a blogagem… olha, eu ando em um momento tao dark que sou capaz de estragar a poesia de vcs

  22. Ora (direis) ouvir estrelas!
    Certo, perdeste o senso!
    Ah, já foi verdade na Terra
    Enquanto lá pra cima sem registro
    O ronronar das comadres corria solto
    Até que um dia com engenhocas
    O som se fez. Do sol e das estrelas!
    -Ora, Bilac, dizem que nosso Astro
    Emite vários sons, ora de sino,
    Ora toca como um tambor.
    -Como um Baixo Profundo,
    O classificam, sabia?

    Lys, se não deixei meu link, tenha certeza, foi por pura crença. Acreditei que o tinha feito como sempre faço nas visitas aos blogueiros.
    Por via das dúvidas, deixo-o aqui também:
    http://gk.jaegger.blog.uol.com.br/
    Obrigado pelo e-mail.
    bjs

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